quinta-feira, 9 de junho de 2011

A UNIDOS DA TIJUCA É VASCO DA GAMA NO CARNAVAL DE 1998


Vasco da Gama

Para que os amantes do carnaval, torcedores do Vasco da Gama sintam-se prestigiados com a conquista inédita do título da Copa do Brasil, este BLOG presta uma homenagem a galera vascaína... é duro, mas aí vai, aproveitem galera, vamos relembrar o carnaval da Unidos da Tijuca em 1998, que homenageou o Vasco da Gama.

Na madrugada de 23 para 24 de fevereiro de 1998,  o Vasco recebeu uma das homenagens mais bonitas de sua história: foi enredo da escola de samba Unidos da Tijuca no tradicional desfile da Marquês de Sapucaí, ponto alto do Carnaval do Rio de Janeiro.

A aproximação entre as duas instituições se deu pelo fato do presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, português de nascimento (aliás, fato único entre as grandes escolas de samba cariocas), ter fortes ligações com o Vasco. Como o ano de 1998 marcava também os 500 anos da descoberta do caminho marítimo para as Índias pelo Almirante Vasco da Gama, a idéia de homenagear tanto o navegador quanto o clube no Sambódromo surgiu naturalmente.

A responsabilidade de contar na avenida a história de um dos personagens portugueses mais importantes de todos os tempos e, ao mesmo tempo, a do clube idolatrado por milhões de brasileiros coube ao carnavalesco Oswaldo Jardim, ex-Mangueira na época. O nome escolhido para o enredo foi "De Gama a Vasco A Epopéia da Tijuca". A sinopse, escrita pelo próprio Jardim fantasia sobre como seria o Almirante Vasco da Gama contando sua própria biografia e, quatro séculos mais tarde, o seu "renascimento" na forma de um clube esportivo: "acho que meu nome sempre esteve fadado a surpresas para mim mesmo. Já começo a me acostumar com o inesperado. 400 anos mais tarde me vejo renascer, não mais como um homem apenas mas como um ideal. Venho renascer num país tão jovem quanto eu era quando saí do Tejo em busca das Índias, e com tanta esperança e prosperidade quanto eu e meus homens tínhamos. Venho a renascer no Brasil em meio a jovens sem antepassados ilustres como eu, mas com um grande ideal de união entre dois povos: o português e o brasileiro".  Oswaldo Jardim abandonou suas atividades como carnavalesco no ano 2000 e faleceu em 2003, aos 43 anos, vítima de complicações decorrentes da hepatite C.

A Unidos da Tijuca foi designada como a sexta escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, num total de sete. Devido ao seu enredo falando sobre o Vasco, os ingressos para este dia esgotaram-se rapidamente, contrariando uma tradição de vários anos segundo a qual as entradas para o desfile de domingo costumavam ser as mais procuradas pelo público.

O fato do Vasco ter se sagrado campeão brasileiro em 1997 aumentava ainda mais a expectativa para o desfile. No ano de seu centenário, o Clube da Colina se via novamente na Libertadores e tinha acabado de fechar uma parceria milionária com uma instituição bancária dos Estados Unidos, o Nations Bank (mais tarde englobada pelo Bank of America).

O time, que contava com Carlos Germano, Odvan, Mauro Galvão, Felipe, Nasa, Luizinho, Pedrinho, Juninho (o complemento "Pernambucano" só surgiria em 2000, com a vinda do outro Juninho, que virou Juninho Paulista), Ramon, Donizete e Luizão, participou em peso do desfile. Roberto Dinamite, ídolo maior dos vascaínos, veio em cima de um carro alegórico juntamente com o técnico Antônio Lopes, o presidente Antônio Soares Calçada e o 1º vice-presidente Amadeu Pinto da Rocha. Eurico Miranda, então 2º vice-presidente, cantava a plenos pulmões o samba-enredo trajando um uniforme estilizado do clube. A propósito, nesse desfile foi feito aquele que provavelmente é o único registro conhecido de Eurico Miranda usando uma camisa que lembra a do Vasco. O ex-presidente cruzmaltino já declarou diversas vezes que não tem o hábito de aparecer publicamente com a camisa vascaína porque entende não precisar se utilizar desse expediente para provar seu amor ao clube.

Um "reforço de peso" vindo diretamente da Itália também participou da festa, ora evoluindo no chão, ora sobre um carro alegórico: Edmundo, que simplesmente acabara com a bola no Campeonato Brasileiro de 1997 e estava na Fiorentina. Curiosamente, o Animal havia cogitado não desfilar na Unidos da Tijuca por causa de sua ligação com o Salgueiro, mas mudou de idéia: "conheci o time aos 8 anos e o Salgueiro aos 16. Sou Vasco e Salgueiro. Sempre defenderei minhas duas paixões", disse o ídolo na época  ao Jornal do Brasil.

A festa não cansou os jogadores, que voltaram a campo no domingo seguinte, dia 1º de março, e derrotaram com facilidade o Vila Nova-GO por 2 a 0 em São Januário, ficando em boa situação para passar para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Porém, três dias depois, em Porto Alegre, o Vasco perdeu por 1 a 0 para o Grêmio em sua estréia na Libertadores.

O desfile da Unidos da Tijuca levantou as arquibancadas da Sapucaí. Se em nenhum momento foi apontada como uma das candidatas ao título, a escola tijucana teve sua atuação empolgante e tecnicamente correta destacada pela imprensa. O Jornal do Brasil, por exemplo, escreveu: "a Unidos da Tijuca surpreendeu. Não está na briga pelo título, mas fez seu melhor desfile dos últimos tempos. Com um enredo perigoso - uma homenagem ao centenário do Vasco da Gama -, conseguiu vencer o risco de despertar a antipatia da torcida inimiga e saiu aplaudida. (...) Dificilmente, a Unidos da Tijuca estará no Desfile das Campeãs, no sábado que vem. Mas, como há muito tempo não acontecia, a escola deixou a avenida com a certeza de que fez bonito."  Serginho do Porto, um dos compositores do samba e seu intérprete na avenida, considerou o desfile o seu melhor momento no Carnaval. Diz o texto: "Serginho do Porto considera que viveu seu melhor momento em carnaval no desfile feito pela Unidos da Tijuca em 1998, quando interpretou um samba em homenagem ao centenário do Vasco da Gama, que enlouqueceu o público presente na Sapucaí."

Na hora da apuração, entretanto, uma surpresa: com apenas 238 dos 270 pontos possíveis, a Unidos da Tijuca acabou em 13º e penúltimo lugar, somente à frente da Porto da Pedra. Ambas foram rebaixadas para o Grupo A, equivalente à segunda divisão. O título acabou dividido entre a Mangueira e a Beija-Flor, que obtiveram a pontuação máxima.

Os torcedores do Vasco não se conformaram com o resultado. A cobertura da mídia, que tentou associar a campeã Mangueira ao clube arqui-rival, irritou ainda mais os cruzmaltinos. Eurico Miranda, ao criticar o resultado, não livrou a cara nem da Verde-e-rosa: "é um esquema absolutamente corrompido. Se eu fosse dirigente de carnaval, não iam fazer o que fizeram. Foi o voto da dor de cotovelo que cometeu essa injustiça a Unidos da Tijuca. O voto de quem ainda não engoliu a conquista do Campeonato Brasileiro do ano passado. O Vasco fez a festa para os seus 30 milhões de torcedores. O resto que se dane. Todo mundo sabia que a Mangueira ia ganhar", declarou o dirigente ao Jornal do Brasil.

Anos depois, em declaração à imprensa, o presidente Fernando Horta, que ainda hoje está à frente da Unidos da Tijuca e sonha um dia presidir o Vasco, levantou a hipótese do resultado do desfile daquele ano ter sido influenciado por questões políticas: "teve aquela derrubada em 1998, que foi uma derrubada mandada. Mas eu não tinha a vivência que tenho hoje no Carnaval. O enredo ("De Gama a Vasco - A epopéia da Tijuca"), daquele ano, era muito bom. Desde que eu estou na Unidos da Tijuca, foi um dos melhores desfiles que a escola fez. Em matéria de luxo, de fantasia, de empolgação. A escola desceu por um lance político, por causa do Eurico (Miranda, presidente do Vasco). A pessoa que dirigia a Liga naquela época (Djalma Arruda, então presidente da Liesa, falecido em 19/08/1998, aos 64 anos, devido a um infarto) a Unidos da Tijuca. Julgaram o Eurico e o Vasco da Gama. Naquela época, a escola não tinha a mídia que tem hoje, e o Ibope, na quarta-feira de Cinzas, apontava a Tijuca como a possível campeã do Carnaval."

Fernando Horta se equivoca num ponto: a pesquisa do Ibope apontou, na verdade, como favoritas do público, a Viradouro em primeiro, a Mangueira em segundo e, empatadas em terceiro, Grande Rio e Mocidade. Na apuração oficial, a Viradouro terminou em quinto lugar, a Mangueira em primeiro, a Grande Rio em oitavo e a Mocidade em sexto.

O tempo, entretanto, compensou as duas agremiações. O Vasco conquistou, só naquele ano de 1998, a Taça Guanabara, a Taça Rio, o Campeonato Estadual e a Taça Libertadores da América no futebol; o Campeonato Sul-Americano de basquete (primeira conquista internacional do basquete carioca); e o Campeonato Estadual de remo, garantindo o título simbólico de "Campeão de Terra e Mar". Já a Unidos da Tijuca voltou à elite em grande estilo, vencendo o Grupo A do Carnaval de 1999 com nota dez em todos os quesitos. Em 2000, emplacou sua primeira participação no Desfile das Campeãs, feito que vem repetindo anualmente desde 2004. Além de todas essas conquistas, nasceu entre o Vasco e a Unidos da Tijuca uma relação de amizade que dura até hoje.

Quanto ao samba-enredo "De Gama a Vasco A Epopéia da Tijuca", composto por Adalto Magalha, Serginho do Porto, Márcio Paiva e Adilson Gavião, ele ganhou as arquibancadas vascaínas de imediato e virou uma espécie de trilha sonora da esplendorosa fase vivida pelo clube entre 1998 e 2001. Hoje,  o samba enredo da Unidos da Tijuca continua sendo cantado semanalmente em qualquer estádio em que o Vasco jogue, não sendo exagero especular que daqui a 50 anos ele se iguale em popularidade ao "Vamos todos cantar de coração", que, afinal, foi uma machinha de Carnaval composta por Lamartine Babo nos anos 40...




Unidos da Tijuca 1998 - Comissão de Frente


  Unidos da Tijuca 1998


Carro Abre Alas - Unidos da Tijuca


Mestre-sala e porta-bandeira


Atletas do Vasco da Gama


Edmundo




Eurico Miranda


Unidos da Tijuca 1998


Alegoria Unidos da Tijuca


Alegoria Unidos da Tijuca


Fábia Borges - Rainha de Bateria


Rainha de Bateria Unidos da Tijuca

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PESQUISAR