O Seminário da Feira Mística, realizado neste domingo, dia 23 de outubro, no Centro de Convenções Sul América, levou à tona a discussão sobre religiosidade no Carnaval.
Participaram do evento algumas figuras do Carnaval carioca como o carnavalesco da Imperatriz, Max Lopes, o coordenador da bateria da Mocidade, Andrezinho, a rainha de bateria da Mangueira, Renata Santos, o intérprete oficial da Unidos da Tijuca, Bruno Ribas, além de representantes de diferentes crenças.
Acerca do tema, três questionamentos foram debatidos:
- O porquê de algumas religiões não permitirem a utilização de suas imagens em desfiles de escolas de samba.
- Como as religiões que permitem o uso de suas imagens vêem os desfiles.
- As lideranças religiosas gostariam de ser consultadas durante o desenvolvimento dos enredos.
O primeiro tópico foi o que gerou maior discussão e o representante da Arquidiocese do Rio, Padre Gegê, abriu o debate adiantando que a Igreja Católica não tem o dever de censurar o trabalho do artista. Segundo ele, proibir não é o caminho e tudo pode ser resolvido com diálogo.
Diane Kuperman, líder judaica, declarou que o seu segmento também não tem o objetivo de criticar ou interromper o trabalho do artista, lembrando que a comunidade judaica ajudou no desenvolvimento do enredo da Mangueira, com Max Lopes como carnavalesco, que tinha o título "Os dez Mandamentos: O samba da paz canta a saga da liberdade", e também desfilou na escola.
Já sobre a polêmica envolvendo a Viradouro, em 2008, quando foi solicitado que a escola retirasse o carro alegórico que continha esculturas de corpos, retratando o Holocausto, Diane esclareceu que foi diferente, pois, durante um momento de alegria, seria lembrado um momento de horror e tristez para o mundo judaico e para toda a humanidade.
Ivanir dos Santos e Elias de Oiá, representantes do Candomblé, disseram que o segmento não se opõe aos enredos sobre a religião, mas gostariam que houvesse respeito, e que a história fosse contada em sua essência. Além disso, repudiaram sacrifícios ou obrigações feitas durante os desfiles na Sapucaí.
A rainha de bateria da Mangueira, Renata Santos, disse que é evangélica e destacou que não enfrenta nenhuma dificuldade nma igreja que frequenta por participar do Carnaval.
Já Andrezinho e Bruno Ribas disseram ser candoblecistas e esclareceram que, caso suas escolas fossem tratar de enredos religiosos, buscariam saber como se resguardar, respeitando suas crenças.
O carnavalesco Max Lopes, que carrega inúmeros enredos de cunho religioso já executados na avenida, declarou ser um homem místico e admirar muito o tema. Ele ainda revelou ter saído do evento com um enredo em mente.
A reunião terminou com um consenso, onde os participantes defenderam que nenhuma religião ou crença tem o direito de interceder no trabalho de um artista, tendo de existir respeito e verdade.
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