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domingo, 26 de junho de 2011

Matéria: OS MAIORES INTÉRPRETES DO CARNAVAL CARIOCA.

LUIZITO


Nome Completo: José Luís Couto Pereira da Silva
Ano de nascimento: 1954

Luizito é um puxador de samba com a voz forte, boa dicção e o timbre marcante. Por mais de 10 anos, foi apoio de Carlinhos de Pilares na Caprichosos. Função que desempenhava disciplinadamente, como um reserva que aguarda o momento adequado para entrar em campo. Depois de acompanhar Carlinhos, Luizito foi apoio de outros puxadores que passaram pela escola de Pilares, como J. Leão, Aroldo Melodia e Márcio Souto.
          Em 1993, Luizito foi um dos autores do samba “Não existe pecado do lado de cá do Túnel Rebouças”. O enredo foi movido pela polêmica devido a apresentação durante o desfile de um carro alegórico que mostrava o assalto de um pivete a um turista no Rio de Janeiro. O caso gerou críticas à escola por apologia à violência.
          Em 1994, finalmente, Luizito foi alçado à condição de intérprete principal da azul e branco de Pilares. Durante três anos foi a voz oficial da escola. Logo após gravar o samba de 97, “Do tambor ao computador”, o cantor foi demitido da escola e substituído por Jackson Martins.
Em 1998, Luizito foi convidado a participar da disputa na Estação Primeira de Mangueira, defendendo a parceria de Carlinhos das Camisas, Nélson Csispal, Nelson Dalla Rosa e Villas Boas, para o samba “Chico Buarque da Mangueira”. A obra saiu vencedora na finalíssima. O ótimo desempenho de Luizito na interpretação garantiu a ele um lugar no carro de som da verde-e-rosa ao lado do legendário Jamelão. Em 2001, teve uma rápida passagem na Unidos de Villa Rica de Copacabana, para puxar o samba “Da vila olímpica à Villa Rica – Chiquinho da Mangueira”.
Após não ter participado do desfile em 2006 devido à morte de sua esposa, Luizito retorna à Estação Primeira com uma responsabilidade fora do comum: devido a um AVC sofrido por Jamelão, foi promovido a intérprete oficial da Mangueira em 2007 em substituição ao mestre. Tanto que o samba da Mangueira tem a sua voz no CD do Grupo Especial de 2007.
Faltando pouco tempo para o desfile, sofreu um princípio de enfarte durante um ensaio técnico da escola e foi vetado pelos médicos para participar do desfile. Mas Luizito - que também trabalha como taxista - desobedeceu a ordem médica e puxou a Mangueira não só no desfile oficial como também no Sábado das Campeãs. Desde então, foi efetivado como intérprete oficial da Estação Primeira. Desde 2010, integra o projeto "três tenores", idealizado pelo presidente mangueirense Ivo Meirelles, em companhia com Zé Paulo Sierra. Em 2010, Rixxa compôs o trio. Em 2011, será a vez de Ciganerey. No final de 2010, durante uma festa na quadra que celebrou o título brasileiro do Fluminense, o flamenguista Luizito chegou a se afastar da Mangueira, após um desentendimento com um tricolor. Poucos dias depois, acertou seu retorno.
Início: Caprichosos de Pilares, no final da década de 70. 
Primeiro ano como intérprete oficial: 1994 
1984 a 1993 – Caprichosos (apoio de Carlinhos de Pilares, J. Leão, Aroldo Melodia e Márcio Souto). 
1994 a 1996 – Caprichosos 
1997 – Caprichosos (apenas gravou o CD de sambas, não desfilou) 
1998 a 2005 – Mangueira (apoio de Jamelão) 
2001 – Unidos de Villa Rica
Desde 2007 - Mangueira (intérprete oficial)
 
GRITO DE GUERRA: não tem um grito de guerra característico. Usava: Amor, voltei... vamos que vamos, minha Caprichosos de Pilares! Ou ainda: Alô, povão da Caprichosos! Vem comigo! Na Mangueira, utiliza: Chegou a garra, chegou a emoção, chegou a escola de samba mais querida do Planeta. Chegou a Estação Primeira de Mangueira.
 
CACOS DE EMPOLGAÇÃO:coisa linda”; “vem comigo”; “que maravilha”; “bate no peito e diz”; “sacode, bateria”; “brilha... brilha... brilha”; “graças a Deus”; “vamos lá, minha Velha Guarda”.
 
SAMBA DE SUA AUTORIA:Não existe pecado do lado de cá do Túnel Rebouças” (Caprichosos/93, com Carlos Ortiz, Karlinhos de Madureira, Marco Lessa e Tico do Gato). 



MAIS FOTOS DE LUIZITO


Durante sua participação no programa Sem Censura, da TV Educativa-RJ, uma semana antes dos desfiles de carnaval 2005. Foto tiradas por Mestre Maciel com câmera digital focando a TV. 


Puxando o samba da Mangueira em 2002 com Jamelão (as duas últimas fotos cedidas por Rixxa Jr.)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MATÉRIA: OS MAIORES INTÉRPRETES DO CARNAVAL CARIOCA.

JORGINHO DO IMPÉRIO


Nome Completo: Jorge Antônio Carlos
Ano de nascimento: 1945

Jorginho do Império é de estirpe nobre. Nascido em Madureira e filho do saudoso compositor Mano Décio da Viola, começou a carreira fazendo abertura de shows de Martinho da Vila, no final dos anos 60. Tem cerca de 20 discos gravados em mais de 35 anos de trajetória artística. Jorginho já era um artista consagrado quando recebeu o convite da diretoria do Império Serrano para ser puxador oficial da escola, logo após o carnaval de 95.
Estreou defendendo um dos mais bonitos sambas da década de 90, “Verás que um filho teu não foge à luta”, em homenagem ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. O belo desfile deu à verde-e-branco da Serrinha a sexta colocação no carnaval de 1996. No ano seguinte, Jorginho voltou novamente ao carro de som a escola. Porém, a escola não foi bem sucedida com o discutido “O mundo dos sonhos de Beto Carrero” e amargou o rebaixamento para o Grupo A. Jorginho do Império se afastou durante um ano e retornou em 1999, para puxar o samba “Uma rua chamada Brasil”.
Até hoje, estas foram as três experiências de Jorginho do Império como puxador de samba de fato. Até então, só cantava samba-enredo em shows ou em disco, geralmente os sambas de seu pai, Mano Décio da Viola, ou de Silas de Oliveira. Jorginho freqüentava a quadra do Império Serrano desde adolescente. Passou a desfilar na escola com regularidade e participava das rodas de samba na Serrinha. Em 1971, Jorginho foi eleito "Cidadão Samba do Estado da Guanabara". Por essa época, participava como ritmista do grupo que acompanhava Martinho da Vila. No ano de 1973 lançou o primeiro LP: "Pedra noventa". Em 1975, lançou o disco "Viagem encantada" e alcançou sucesso com as músicas "Na beira do mar" e "Dinheiro vai, dinheiro vem".
Sua carreira internacional inclui shows em vários países, como Hong Kong, Argentina, França e Japão. Gravou 21 LPs e três CDs durante a sua carreira. Na década de 80, Jorginho afastou-se do Império alegando divergências e se integrou à diretoria da União da Ilha do Governador. Nos anos 90, foi diretor da Unidos do Porto da Pedra, escola que ajudou a organizar e foi um dos responsáveis em transformar um pequeno bloco carnavalesco de São Gonçalo numa escola de samba em condições de competir no Grupo Especial do Rio de Janeiro. Em 2003, voltou à diretoria da Império Serrano, onde permanece até hoje.
INÍCIO: Império Serrano, desde a adolescência. 

Primeiro ano como intérprete oficial: 1996 
1996, 1997 e 1999 – Império Serrano 

GRITO DE GUERRA: Alô, familia imperiana! Verás que um filho teu não foge à luta! 

Discografia: 
·  Pedra noventa (1973)
·  Quem quiser pode vir (1974)
·  Viagem encantada (1975)
·  Jorginho do Império (1977)
·  Agora sim... (1978)
·  Festa do preto forro (1980)
·  Jorginho do Império (1981)
·  Alma imperiana (1984)
·  Festa do samba (1985)
·  Pra quem gosta de samba (2002)


MAIS FOTOS DE JORGINHO DO IMPÉRIO

Jorginho com o pai, Mano Décio da Viola, durante o desfile do Império Serrano de 1980




Com o sambista Jairo Bráulio, durante o programa "Carnaval de Primeira", que apresentou na CNT em 1996


Em 1992, como diretor de harmonia da Rocinha
 




quinta-feira, 23 de junho de 2011

matéria: OS MAIORES INTÉRPRETES DO CARNAVAL CARIOCA.

                              JORGE GOULART





Nome Completo: Jorge Neves Bastos


        Ano de nascimento: 1926 
     






Uma das figuras mais importantes da música popular brasileira, por sua militância em divulgá-la no exterior e por seu incentivo aos compositores e sambistas das classes mais populares, que dificilmente conseguiam espaço na mídia para divulgarem seus sambas. Jorge Goulart foi, também, o primeiro cantor de rádio a puxar um samba no carnaval. 
Jorge Goulart começou sua carreira de cantor como crooner, em 1943, apresentando-se em casas noturnas do Rio de Janeiro, os famosos "dancings". Pertenceu ao “cast” das rádios Tupi e Nacional. Dono de uma grande voz, foi apelidado pelo apresentador e radialista César de Alencar de Boca de Caçapa, pela sua incrível extensão vocal e pela atitude que assumia ao interpretar. Atuou em diversos filmes – as famosas “chanchadas” da Atlântida, como “Aviso aos navegantes” – e gravou incontáveis marchinhas carnavalescas, juninas e natalinas, além de sambas, sambas-canções e valsas. Gravou também para o público infantil e lançou em disco os hinos compostos por Lamartine Babo para os clubes de futebol do Rio de Janeiro.
Na década de 50, gravou o LP “Brasil em ritmo de samba”, intrerpretando entre outros “Brasil moreno”, de Ary Barroso e Luiz Peixoto, “Canta Brasil”, de David Nasser e Alcyr Pires Vermelho, “Isso aqui o que é?” e “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso. Numa época em que a maioria dos sambistas de morro era vista com certa indiferença, destacou-se como um dos grandes divulgadores das músicas de sambistas de escolas de samba, como Zé Kéti, Candeia, Silas de Oliveira e Elton Medeiros. “Essa gente não tinha oportunidade no rádio e nos discos”, declarou ele em entrevista. O primeiro desses sambas a lhe render grande sucesso foi “A voz o morro”, de Zé Kéti, gravado em 1955 – também tema do filme “Rio 40 Graus”, no qual também participou.  
Nas décadas de 50 e 60, junto com sua companheira, a também cantora Nora Ney, Jorge Goulart excursionou para a União Soviética, China e países do Leste Europeu. Interpretou clássicos absolutos do carnaval carioca, como “A cabeleira do Zezé”, “Joga a chave, meu amor” e “Ride, palhaço”, entre vários outros. Em 1965, para o carnaval do Quarto Centenário da cidade do Rio de Janeiro, Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara e Bacalhau, compuseram para o Império Serrano o samba “Cinco bailes da história do Rio”. Segundo o cantor, “Silas fez um samba-enredo contando em cinco partes o final do Império com o baile da Ilha Fiscal. Era um samba difícil de cantar, a terceira parte era muito alta, daí o Silas mandou me chamar. Era a primeira vez que um cantor de rádio puxou uma escola de samba.” E realmente, Jorge Goulart puxou a Império Serrano não só naquele, mas também nos carnavais dos três anos seguintes: “Glórias e graças da Bahia”, “São Paulo, chapadão de glórias” e “Pernambuco Leão do Norte”. O cantor também conduziu as escolas Imperatriz Leopoldinense em 1975 (“A morte da porta-estandarte”), e a Unidos de Vila Isabel em 1977 (“Ai, que saudades que eu tenho”). 
 Pois este cantor, que abrilhantaria a discografia de qualquer nação do mundo, em 1983 sofreu o pior dos golpes para um homem de sua profissão: devido a um câncer, Jorge Goulart teve suas cordas vocais extirpadas e teve de reaprender a falar, por meio do esôfago. Em 2003, sua velha companheira por 52 anos Nora Ney morreu, vítima de falência múltipla de órgãos, após longo sofrimento. Em janeiro de 2004, o jornal O Pasquim 21 publicou entrevista sua na qual Jorge Goulart contou detalhes de sua vida e carreira.



Primeiro ano como intérprete: 1965 (Império Serrano).
1965 a 1968: Império Serrano
1975: Imperatriz Leopoldinense
1977: Unidos de Vila Isabel
 
DISCOGRAFIA:
 
Lançou dezenas de discos de 78 rpm, compactos e LPs. Entre eles, destacam-se:
 
- A Volta/Paciência, coração (1945)
- Noites de junho/São João (1949)
- Miss Mangueira/Balzaquiana (1950)
- Ai! Gegê (1950)
- Brasil em ritmo de samba (1955)
- Em tempo de samba (1959)
- Jubileu de prata - Jorge Goulart e Nora Ney (1977)
- Oh! As marchinhas – Emilinha Borba e Jorge Goulart (1981)
- Amor, meu grande amor – Nora Ney & Jorge Goulart (2000, em CD)



MAIS FOTOS DE JORGE GOULART


Com a esposa, a também cantora Nora Ney, falecida em 2002

Com Neguinho da Beija-Flor

terça-feira, 21 de junho de 2011

matéria: OS MAIORES INTÉRPRETES DO CARNAVAL CARIOCA.

                              JAIR RODRIGUES






Nome completo: Jair Rodrigues de Oliveira


         
        Ano de nascimento: 1939











A especialidade de Jair Rodrigues não era puxar sambas enredo na avenida. Mas este paulista de Igarapava ajudou a divulgar e consagrar o gênero em disco, nas rádios e internacionalmente.
Jair iniciou a carreira em 1957, atuando como crooner em casas noturnas do interior de São Paulo. Seus primeiros LPs foram lançados em 1964. Nessa época, atingiu grande popularidade com sua interpretação da música Deixa isso pra lá (Alberto Paz e Edson Meneses), marcada pela gesticulação que fazia com a palma da mão. Essa canção foi considerada precursora do rap brasileiro por seu refrão “falado”. Em 1965, substituiu Baden Powell no show realizado no Teatro Paramount, em São Paulo. Foi nesta ocasião que cantou pela primeira vez ao lado daquela que seria sua parceira, a estreante Elis Regina, com quem lançou em seguida o LP “Dois na bossa”, gravado ao vivo. Devido ao enorme sucesso alcançado pelo disco, formou com a jovem cantora a dupla Jair e Elis, no comando do programa "O fino da bossa", produzido pela TV Record (SP), que teve estréia em maio de 1965. Nesse ano, registrou um de seus grandes sucessos, Tristeza (Niltinho e Haroldo Lobo). A música obteve grande destaque no carnaval de 1966 na voz do cantor.
Numa época em que as gravações dos discos de samba enredo estavam incipientes, Jair Rodrigues ajudou a divulgar o estilo. Em 1969, incluiu Bahia de todos os deuses (Salgueiro 1969) no disco “Jair de todos os sambas”, onde cantava sambistas dos morros cariocas até então pouco conhecidos como Martinho da Vila, Zé Di e Oswaldo Nunes. Em 1970, apresentou-se ao lado do conjunto Os Originais do Samba, em Cannes, na França. Sua popularidade não se restringiu somente ao Brasil, tendo-se apresentado com freqüência no exterior, em países como Portugal, Alemanha, França, Suíça, Itália, Estados Unidos e Japão. Em 1971, gravou o LP “Festa para um rei negro”, contendo o samba-enredo homônimo da Acadêmicos do Salgueiro, do compositor Zuzuca, um de seus grandes sucessos e um dos mais conhecidos refrões da história da música popular brasileira: “Ô lê lê/ ô lá lá/ pega no ganzê/ pega no ganzá”. No ano seguinte, foi a vez de gravar Mangueira, minha querida madrinha, novamente de autoria de Zuzuca e também levado à avenida pelo Salgueiro. Em 1973, no LP “Orgulho de um sambista”, Jair Rodrigues gravou o samba “Lendas do Abaeté” (Jajá, Manoel e Preto Rico), hino que levou a Mangueira ao campeonato daquele ano e “Boi da cara preta”, mais um samba de Zuzuca – eliminado na disputa do Salgueiro para o enredo “Eneida, amor e fantasia” – e que emplacou nas paradas de sucesso de todo o país graças a outro refrão forte, inspirado nas cantigas infantis: “Boi, boi, boi/ Boi da cara preta/ Pega essa criança/ Que tem medo de careta”.
Em 1974, Jair Rodrigues gravou um compacto com os sambas de quatro escolas daquele ano: Portela (“O mundo melhor de Pixinguinha”); Salgueiro (“Rei de França na Ilha da Assombração”); Mocidade (“Festa do Divino”) e Império Serrano (“Dona Santa, rainha do maracatu”).
No LP “Minha hora e vez”, de 1976, gravou o samba enredo “Historia do Brasil”, que a Nenê de Vila Matilde apresentaria em 1977. Logo a seguir, em compacto, gravou “Poeta de Miraí”, samba enredo que a Rosas de Ouro desfilou também naquele ano. Em 81, Jair lançou, também em compacto, o samba enredo da Imperatriz Leopoldinense “O teu cabelo não nega (Só dá Lalá)”, de Gibi, Serjão e Zé Catimba.
A partir daí, com o lançamento cada vez mais regular dos discos orginais das escolas de samba, Jair Rodrigues foi deixando de lado a gravação de sambas enredo, mas os grandes sucessos dos carnavais ainda estão presentes em seus shows. 
         Jair Rodrigues reencontrou-se com o samba enredo no CD “500 anos de folia - 100% ao vivo”, de 1999, ao gravar a faixa homônima, ao estilo do gênero, e no ano seguinte, no segundo volume de “500 anos de folia”, quando regravou “Mangueira minha querida madrinha” e “Festa para um rei negro”. Jair tem uma voz levemente rouca, porém bem afinada e um jeito irriquieto de interpretar. Alguns bambas consideram o puxador Quinho, um “legítimo seguidor do estilo Jair Rodrigues”.


DISCOS DE JAIR RODRIGUES COM SAMBAS ENREDO: 
· Jair de todos os sambas (1969)
· Festa para um rei negro (1971)
· Com a corda toda (1972)
· Orgulho de um sambista (1973)
· Sambas enredo de 1974 (Portela, Salgueiro, Mocidade e Império Serrano) – compacto
· Minha hora e vez (1976)
· O teu cabelo não nega/Só dá Lalá – compacto (1981)
· 500 anos de folia vols. 1 e 2 (1999/2000)



MAIS FOTOS DE JAIR RODRIGUES


 
 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

JÁ NÃO OUVI ESSE SAMBA?



O Top 10 Sambario retorna para listar dez sambas enredos cujas melodias lembram as de outros sambas que já passaram pela Marquês de Sapucaí 
Todo mundo se deu conta das semelhanças de melodia do refrão do meio samba da Grande Rio de 2011 (Caldeirão vai ferver / A Grande Rio chegou / Vem trazer pra você / Uma porção de amor / É a receita que a bruxinha ensinou) com um refrão do samba da Vila Isabel de 1997 (Hoje a festa do povo / faz a gente sambar / vendo blocos e corsos / como é bom recordar). Plágio ou coincidência musical? 
Plágio é uma denúncia muito séria, pois, na definição do Dicionário Houaiss, é o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc.) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original. Ou seja, o plagiador apropria-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma. No caso da música, um plágio é caracterizado, tecnicamente, quando aparecem quatro compassos idênticos a uma outra música já existente. 
No entanto, na escala musical adotada no ocidente, que é composta por sete notas – que nem sempre casam entre si –, a chance de cair numa progressão de acordes iguais a alguma existente é grande. Ainda mais que há melodias e ritmos que ficam grudadas no nosso inconsciente, o que faz que um compositor produza uma obra parecida com outra, mesmo que de forma não-intencional. 
O Top 10 Sambario constatou uma semelhança musical considerável em refrões ou estrofes de sambas enredo que já passaram pela Marquês de Sapucaí. Para isso, utilizei alguns critérios de exclusão: não foram incluídos sambas de um mesmo compositor (os autores, em tese, têm liberdade para se auto-plagiarem) e não comparei sambas da mesma entidade carnavalesca. Também não foram considerados sambas cujos compositores recorreram a cantigas populares, músicas de domínio público ou músicas incidentais para confeccionarem o refrão ou parte do samba. Martinho da Vila faz isso com maestria. Juntamente com Gemeu utilizou a cantiga infantil Ciranda, cirandinha no samba “Carnaval de ilusões” (Vila Isabel 1967) e a folclórica Prenda minha em “Glórias gaúchas” (Vila 1970). Os mangueirenses Padeirinho, Nilton Russo e Moacir se inspiraram nos clarins da introdução da marchinha Cidade Maravilhosa para compor o refrão do samba “Rio, um carnaval dos carnavais”, que a verde e rosa apresentou em 1972. 
Acompanhe a listagem e boa diversão! 
10º lugar: “Praça Onze, carioca da gema” (Salgueiro 1970) x “Ai, que saudade que eu tenho” (Vila Isabel 1977). A coincidência aparece aqui nos dois refrões principais. O “abre a roda meninada” apareceu pela primeira vez no samba do Salgueiro que homenageava a Praça Onze. Sete anos mais tarde, ao apresentar um Rio nostálgico, o “abre a roda meninada” reaparece, justamente na parte do samba que relembrava a referida praça.
Oi, abre a roda, meninada
Que o samba virou batucada
Pau pau-pereira
Pau-pereira ingratidão
Todo pau o vento leva
Só o pau-pereira não
(Duduca, Miro, Omildo Souza Bastos e Silvio)
Abre a roda meninada
Que o samba virou batucada
Abre a roda meninada
Que o samba virou batucada
(Dida, Gemeu, Rodolpho)
9º lugar: “Quando o samba era samba” (Portela 1994) x “As águas de Oxalá” (Boi da Ilha 2005). A Portela apresentou um dos melhores sambas da safra de 1994. A cabeça do samba era fortíssima: África, encanto e magia... Onze anos depois, com um enredo afro, o Boi da Ilha apresenta um samba cuja cabeça lembra bastante o samba portelense.
África encanto e magia
Berço da sabedoria
Razão do meu cantar
(Cláudio Russo, Wilson Cruz e Zé Luiz)
 
África é lenda, é poesia
E inspira o Boi da Ilha
A cantar
(Ginho, Ivan Pagodeiro, Nelsinho e Professor)
 
8º lugar: “Xuxa e seu reino encantado no carnaval da imaginação” (Caprichosos 2004) x “João e Marias” (Imperatriz 2008). O samba em homenagem à apresentadora Xuxa Meneghel até hoje é controverso e alvo de críticas por muitos “entendidos”. A escola de samba mirim Inocentes da Caprichosos vai reedita-lo em 2011. O refrão do samba da Rainha de Ramos – vencedor do Estandarte de Ouro em 2008 – tem o primeiro verso que lembra bastante o refrão do samba de Pilares. Curiosidade: Preto Jóia, um dos autores do samba da Xuxa, cantou na avenida o samba da Imperatriz.
Batam palmas ela já chegou...
(Nei Negrone, Preto Jóia, Riquinho Gremião e Silvio Araújo)
 
Vem brincar nesse trem, amor...
(Carlos Kind, Di Andrade, Jorge Arthur, Josimar e Valtencir)
7º lugar: “Uma festa brasileira” (Império Serrano 1994) x “A viagem da pintada encantada” (União da Ilha 1996). A semelhança melódica, em ambos os casos, está no primeiro verso da estrofe que sucede o refrão do meio.
A cultura...
(Beto Pernada, Lula e Zito)
Na cultura...
(Alberto Varejão e Vicentinho)
6º lugar: “A ressurreição das coroas – Reisado, reino e reinado” (Portela 1983) x “Alô, Alô, se liga... tem boi na linha!” (Boi da Ilha 2007). Mais um caso de semelhança melódica na cabeça dos sambas. Será que os compositores do Boi da Ilha se inspiraram no clássico portelense de 1983?  
Vou me embalar na poesia
Do amor e sedução
Extravasando de alegria
O meu coração
(Hilton Veneno e Mazinho da Piedade)
Vou te ligar a poesia
Sou a comunicação
Na pré-história não havia
Telefonia, gritar foi solução
(Aloisio Villar, Barbieri, Cadinho da Ilha, Marquinhus do Banjo e Walkir)
5º lugar: “Templo Negro, em tempo de consciência negra” (Salgueiro 1989) x “Boca do Inferno” (Santa Cruz 1991). O Salgueiro apresentou um dos mais belos sambas da safra 1989. Com a homenagem ao poeta baiano Gregório de Mattos, a Santa Cruz também brindou o carnaval com uma excelente obra, que inclusive ganhou o Estandarte de Ouro. Mas os dois sambas guardam semelhanças nos trechos destacados.
E na atual sociedade
Lutamos pela igualdade
Sem preconceitos sociais
(Alaor Macedo, Arizão, Demá Chagas, Helinho do Salgueiro e Rubinho do Afro)
Surgiu no seio da sociedade
Lutando pela igualdade
Contra o preconceito social
(Carlos Henry, Doda, Giovanni, Luiz Sérgio, Mocinho e Tião da Roça)
4º lugar: “Alimentar o corpo e a alma faz bem” (Grande Rio 2005) x “Jacarepaguá, fábrica de sonhos” (Renascer 2007). Apesar de terem sido gravados em tonalidades diferentes, os dois refrões guardam evidentes semelhanças.
A mensagem de paz, Grande Rio nos traz
A verdade da vida, o prazer de viver
Alimentar o corpo e a alma faz bem

Meu bem querer!
(Barberinho, Competência, Bittar, Marcelinho Santos, Levi Dutra, Licinho Jr., Deré, Mingal, Leleco e Ciro)
Olha a onda, olha a onda... Eu tô na gandaia
Olha a barra da saia, baiana a girar
Em qualquer choupana, alegria emana

Jacarepaguá”
(Cláudio Russo, Carlinhos Detran, Marquinhos, Flavinho do Cavaco, André Malheiros e Julinho Cá)
3º lugar: “O mundo mágico dos Trapalhões” (Cabuçu 1988) x “Uni-duni-tê, a Beija-flor escolheu: é você” (Beija-Flor 1993). Gavião, Magalha e Magnata foram autores de diversos de sucesso no período do auge da geração pagode Fundo de Quintal, com sambas gravados por Jovelina Pérola Negra, Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Marquinhos Satã, Só Preto Sem Preconceito, entre outros. Em 1993, a Beija Flor recorreu a uma obra de três sambistas veteranos, entre eles, Edeor de Paula, autor do clássico “Os Sertões”, da Em Cima da Hora (1976). No entanto, há um trecho que é muito parecido com o samba dos Trapalhões. Por coincidência, esses versos também estão no fim da primeira parte, antes do refrão central, assim como o da Cabuçu.
Desperte em você essa lembrança
Vem comigo ser criança
Na carona da ilusão
(Adilson Gavião, Adalto Magalha e Sergio Magnata)
Liberte do seu peito essa criança
Dê as mãos na contradança
Vamos juntos cirandar
(Edeor de Paula, Sérgio Fonseca e Wilson Bombeiro)
2º lugar: “G.R.E.S. Saudade” (Ponte 1987) x “Antes, durante e depois, o despertar do homem” (Grande Rio 1991). Bom, não há como relevar a total semelhança de melodia e o uso de praticamente as mesmas palavras-chave (baiana, sol, lua, continua) presentes nos dois sambas.
No gingado da baiana
Dança o Sol e dança a Lua
Também dança a velha guarda
E a vida continua
(Silvio da Ponte e Zoinho da Ponte)
Gira baiana
Gira o Sol e gira a Lua
Gira o girar do tempo

E a Grande Rio continua
(Andrade, Leovenir e Ventura)
1º lugar: “Macunaíma, herói de nossa gente” (Portela 1975) x “Poemas de máscaras e sonhos” (União da Ilha 1976). A melodia forte do refrão da Portela ainda hoje é marcante. E por mais que os insulanos não queiram, mas a melodia do refrão principal do samba da Ilha de 1976 (aliás, um samba de qualidade e melodia envolvente) é “a cara” de Macunaíma.
Vou me embora, vou me embora
Eu aqui volto mais não
Vou morar no infinito
E virar constelação”
(David Corrêa e Norival Reis)
Crava, crava, crava as garras
No meu peito em dor

Diz o poeta no seu desamor
(Barbicha, Dito, Mestrinho, Waldyr da Vala e Wilson Jangada)
Outras curiosidades:
  • O refrão Ô abra a roda meninada também foi citado no samba derrotado de autoria de Martinho da Vila para o carnaval de 1977. Talvez fosse uma exigência do carnavalesco Arlindo Rodrigues aos compositores para que constassem esses versos nos sambas em disputa. Em 1970, o autor do enredo do Sal foi Fernando Pamplona, que era auxiliado por Arlindo. Em 1977, Rodrigues assinou, sozinho, o enredo da Vila. Isso talvez explique a insistência no refrão.
  • Em “Sonhos de Natal”, João Nogueira e Paulo César Pinheiro tiveram que creditar como “música incidental” o samba “O homem de um braço só”, cujos versos foram inclusos no hino da Tradição de 1987. O interessante é que a música, composta ainda nos anos 70 em homenagem a Natal logo após o falecimento do dirigente portelense, é de autoria da própria dupla.
  • Nogueira e Pinheiro incluíram em “Rio, samba, amor e tradição”, versos do partido alto “Quem samba fica”, de Jamelão e Tião Motorista (Ê, ê, o mar, ê ê o mar / Ê ê o mar, ê ê o mar).
  • Os compositores de samba enredo sempre recorreram a trechos de pontos de umbanda ou candomblé para ilustrarem suas obras. O samba do Salgueiro de 1989, mencionado nesta lista, traz no refrão do meio, um ponto a Xangô – orixá padroeiro da escola – adaptado ao carnaval (Ô Zaziê, ô Zaziá / Ô Zaziê, Maiongolê, Marangolá / Ô Zaziê, ô Zaziá / Salgueiro é Maiongolê, Marangolá). Já os sambistas Aroldo Melodia e Leôncio, recorreram a um ponto de Iansã para fazer o refrão de “Lendas e festas das iabás” (Oiá Oiá Oiá eu / Oiá matamba / De cacurucaia zinguê), que a União da Ilha do Governador desfilou em 1974.
  • Em 1987, Mazinho e Gilson Dr adaptaram a música “Luzes da ribalta”, versão de Braguinha para “Limelight”, de Charles Chaplin, para o refrão do samba da Beija-flor (Para que chorar o que passou / lamentar perdidas ilusões).
  • Martinho da Vila é mestre em adaptar cantigas populares e transformá-las em samba enredo. Além da Ciranda, cirandinha, de 1967, Martinho também incluiu, em 1972, versos da música “Cirandeiro” (Edu Lobo e Capinam) para o samba de 1972 (Ó cirandeiro, ó cirandeiro, ó. A pedra do teu anel. Brilha mais do que o sol).
  • A melodia do refrão central do samba “Voilá”, da Grande Rio 2009 (A força de um povo que revoltado... Se uniu / cruzou fronteiras movimentando meu Brasil / vem o anseio de alcançar liberdade / Meu lema é egalité, fraternidade) guarda uma certa semelhança com a do refrão do samba da Leandro de Itaquera de 2006 (Vou navegar por esse rio de fantasias / desfilar na Passaragua que esplendor / nesse tom vermelho e branco / me leva, me leva nesse barco de amor).
  • Outro caso de melodias parecidas constatei entre os sambas do Salgueiro 2003 e da Inocentes da Baixada 2004. O samba do Sal (de Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20, Sidney Sã, Claudinho e Quinho) cujo refrão do meio dizia: Salgueiro, vermelho / Balança o coração da gente.., homenageava aos 50 anos da escola. Já a Inocentes (hoje de Belford Roxo), homenageava o Rio de Janeiro e na primeira estrofe vinha Danado, sarado / irreverente, hospitaleiro..., com uma melodia que lembrava bastante o refrão do Sal.

matéria: Desfiles mais Dramáticos das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.FINAL.



VIRADOURO 1992 - A magia da sorte chegou!
A Viradouro desfilava como escola grande. Samba lindo, alegorias lindas e fantasias magnificas. Tudo perfeito! Até que um carro, o preferido do carnavalesco Max Lopes,  começou a pegar fogo na avenida. Corre corre, gritaria, pessoas se jogando do carro, carro de bombeiros na pista. A escola perdeu completamente a harmonia (em todos os sentidos) e esse foi o momento mais tenso dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.
 

 
 
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matéria: Desfiles mais Dramáticos das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.PARTE 7.


PORTELA 2005 - Nós podemos: oito idéias para mudar o mundo.
Era um carnaval que prometia ser desastroso mesmo antes da escola entrar na avenida. Problemas de incêndio com o abre-alas já preocupavam os torcedores de Madureira dias antes ao desfile. Na hora do desfile, mais desespero. O abre-alas estava na avenida “pela metade” (ele não foi refeito), a águia - grande símbolo da escola - estava (e desfilou) sem asas e carros quebraram. Pensou que a tensão terminou por aí? Não. Pra não estourar o tempo de desfile, a escola não entrou com a última alegoria e além disso a velha-guarda foi proíbida de desfilar. Foi o pior momento da azul e branca na Sapucaí. Triste.  




matéria: Desfiles mais Dramáticos das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.PARTE 6.


SALGUEIRO 2011 - O Rio no cinema
Quando o desfile começou, a cada momento que se passava, todos tinham a certeza de que o Salgueiro seria o grande campeão do ano. Mas a escola não “andava” e aquilo foi se tornando uma agônia sem fim... Minutos passavam e nada da escola andar, problemas na entrada de praticamente todos os carros fizeram com que a acadêmia do samba estourasse muito o tempo, perdesse pontos preciosos e o campeonato. Um drama pros Salgueirenses que só não foi maior, no período pré-apuração, porque já era previsto que nesse ano não teria rebaixamento. 
 
 
 






matéria: Desfiles mais Dramáticos das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.PARTE 5.


ROCINHA 2006 - Felicidade não tem preço
A Rocinha era a bola da vez. Tinha um dos barrações mais comentados do pré-carnaval, tinha conseguido se livrar do "martírio" de abrir a noite de domingo dos desfiles. Parecia que a escola iria se firmar no Grupo Especial. Mas veio a chuva bem na hora da sua apresentação e um momento que deveria ser de glória pra escola se transformou em uma grande tensão. Praticamente todos os carros tiveram problemas: uns quebraram, outros desacoplaram. Resultado: a escola abriu diversos buracos e alas ultrapassaram carros. Enfim, o desfile foi uma sucessão de contratempos em um dos momentos mais dramáticos de todos os tempos na avenida do samba.
 
 
 

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