Após o incêndio que destruiu o barracão da tricolor de Caxias em fevereiro deste ano, a chamada "Escola de Guerreiros", nome escrito nas paredes da quadra, ganhou notabilidade, acima de tudo, quando o verbo acreditar parecia estar isento de qualquer conjugação.
Com as lições de superação demonstradas pelos integrantes da Grande Rio, Cahê Rodrigues passou a ser convidado para ministrar palestras motivacionais em empresas. Segundo o carnavalesco, muitas pessoas choravam ao longo de sua apresentação. No final de uma delas, surgiu o ponto de partida para o nascimento do livro.
"Um senhor de uns 60 anos me perguntou se a palestra estava disponível no Youtube ou em DVD, pois ele queria mostrar ao filho que estava passando por um problema sério. Como o material não estava gravado, eu disse que ligaria para conversar com o menino e tentaria ajudá-lo. Feito isso, em seguida este senhor me disse: 'Você poderia escrever um livro'", relembra Cahê.
O livro traz fotos exclusivas do barracão da tricolor antes do fato trágico. Há também relatos e ilustrações sobre os momentos do incidente e também a trajetória de reconstrução de alegorias e fantasias que davam vida ao enredo místico de Florianópolis.
A narrativa está repleta de depoimentos de profissionais da escola, que demonstram por meio de palavras tanto as atitudes diante do fato trágico quanto a sensação de receber o apoio dos voluntários.
"Os relatos trazem os sentimentos que tomaram conta da equipe da Grande Rio. Podemos perceber a mudança de comportamento das pessoas em relação à chegada dos voluntários, fato emocionou todos aqueles que trabalhavam no barracão", revela Cahê.
Outra emoção que o carnavalesco pretende reviver é a de mostrar novamente as mães do Brasil. Em 2006, elas eram o tema de uma alegoria da Porto da Pedra que quebrou na concentração do desfile. Para 2012, a Grande Rio terá um setor do enredo com menções às mulheres que não perderam a esperança mesmo diante das adversidades ocorridas com seus respectivos filhos.
"Teremos um contexto emocional muito forte. Queremos manifestar o desejo de superação do coração dessas mães que não se abateram com as dificuldades. Todas elas têm am comum a perda ou desaparecimento dos filhos", adianta.
As mães dos jovens assassinados na chacina da Candelária, das vítimas do massacre de Realengo, e as Mães de Acari terão destaque na apresentação da escola. Da mesma forma, Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, e que esteve no desfile da Porto da Pedra desenvolvido por Cahê, volta à narrativa do carnavalesco, agora como exemplo de luta e superação.
A escola aguarda a confirmação da atriz Cissa Guimarães no desfile. Presenças certas são as de representantes dos esportes. Dentre eles estão o velejador Lars Grael, Georgette Vidor, atual secretária muncipal da Pessoa com Deficiência, o atleta da canoagem Fernando Fernandes, o nadador paraolímpico Clodoaldo Silva e o lutador de MMA Rodrigo Minotauro.
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