Marcado pela própria natureza é verso que inicia de forma apoteótica "Os Sertões de Edeor de Paula", resumo fiel à obra de Euclides da Cunha e um marco na história dos sambas enredo em virtude do poder de síntese até então jamais visto. Podemos perceber bem definidos na primeira parte do samba os dois capítulos que principiam nas letras do imortal: A Terra e o Homem e na segunda do samba um breve encadeamento de versos que relatam com propriedade o retiro de milhares de sertanejos em torno do arraial de Canudos.
Contam alguns amigos que a comunidade de Cavalcante estava muito empolgada para aquele carnaval de 1976, muito pelo extraordinário samba como também, pela qualidade das alegorias vista por quem ia ao barracão nos dias que antecediam o desfile. Pois bem as alegorias eram grandes e altas demais para passarem no portão de saída do barracão e foi dada ordem de quebrar uma parede, neste momento tornou-se drama o enredo da Em Cima da Hora já que toda edificação que comportava seu barracão era tombada pelo patrimônio histórico e não podia ser derrubada. As alegorias não puderam participar do desfile e a tristeza fez seu concerto como uma grande tragédia acompanhada pela dolência do samba.
Naquele sábado de carnaval eu estava no setor 01 à espera da escola que aprendi a gostar e por motivos particulares não poderia desfilar, naqueles cinco minutos intermináveis a Sapucaí me fez chorar e quase todo primeiro setor como num efeito dominó, que não sei de onde começara, chorava também, Adilsinho cantava Oh Solitário sertão... E o calor de toda multidão levava ao abraço, algo coletivo. E pensar que algumas vozes do bairro salientam que durante a disputa para o carnaval de 1976 este samba não era nem o favorito, somente ganhando força para ser campeão quando um dos fortes concorrentes, exatamente na semifinal, foi retirado em apoio ao grande samba que permanece na memória do povo carnavalesco. Foi no século passado... Mas parece hoje que um dos mais belos sambas de todos os tempos, o mais belo dos sambas tristes, me fez feliz ao chorar de alegria.
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