quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Com 13 vitórias, André Diniz afirma que samba da Vila de 2012 é 'especial'



Cria da Vila Isabel, o consagrado compositor André Diniz, que também é professor de história, reúne 13 vitórias em 16 participações em disputas de samba-enredo. O samba da Vila Isabel escolhido para o Carnaval 2012, para o enredo "Você semba lá, que eu sambo cá. O canto livre de Angola", também é de sua autoria, ao lado de Arlindo Cruz, Evandro Bocão, Leonel e Artur das Ferragens.

André conversou com a imprensa sobre suas conquistas, destacando a importância e o significado da vitória na última disputa da Vila Isabel e, também, sobre perspectivas futuras acerca do samba-enredo.

Ele ingressou no universo de composição de samba-enredo no Arranco do Engenho de Dentro, em 1992, já estreando com vitória ao lado de Bocão. Voltando às suas origens, André começou a disputar pela Vila Isabel em 1993, quando perdeu para Martinho da Vila, na final de "Gbalá". No ano seguinte, venceu com o samba que ficou conhecido como "peguei o bonde", que homenageava o bairro da escola.
Foto: Reprodução de Internet

Perguntado sobre a sensação de vencer pela 13ª vez, o compositor disse que a emoção é sempre a mesma, porém, de formas diferentes, já que cada disputa "tem seu sabor especial".

"Na primeira foi um deslumbre, nunca imaginei aquilo, só queria ser ritmista da Vila, mais nada. Mas as coisas levaram para este lado. De vez em quando falo com o Bocão, 'como pode né?' Éramos amigos de torcida organizada, nos chamaram para cantar (ele) e tocar cavaquinho (eu) em um samba (talvez querendo nossa torcida) e virou isso tudo", disse.

Embora tenha muitos admiradores e torcedores pela vitória de suas composições, André também enfrenta críticas pelas consecutivas conquistas. Segundo ele, "vencer demais incomoda" e ele encara com naturalidade as "alfinetadas".

"Uma pessoa digna ouvir que ganha de forma viciada é pra lá de revoltante. As pessoas esquecem que nossas 13 vitórias foram conseguidas sob administrações e diretorias (Walter, Olício, Bocão, Moisés e Wilsinho), carnavalescos (Oswaldo Jardim, Max, Jorge Freitas, João Luiz, Joãosinho 30, Louzada, Cid, Alex de Souza, Paulo Barros e Rosa), diretores de Carnaval, de bateria e presidentes de segmentos diferentes. Ganhamos porque os sambas são bons, a escola quer, gosta do estilo, trabalhamos muito, nosso intérprete é um gênio, porque somos Vila e geralmente emocionamos a escola em alguma parte do samba. Mas, como diz meu pai e dizia o avô do Bocão, "Todo ladrão é desconfiado", ou seja, as pessoas que geralmente nos acusam, é porque seriam capazes de fazer o que dizem que fazemos. Simples assim.

Vila Isabel: samba de 2012 tem sabor especial

Um dos compositores da parceria campeã na disputa da Vila Isabel para 2012, André Diniz disse a imprensa que essa obra teve um significado diferente por diversos motivos. Primeiramente, porque foi elaborado com "amor e gratidão", por se tratar de Angola e por concorrer ao lado do também consagrado Arlindo Cruz.

"Construímos para ser um canto de agradecimento a tudo que Angola e os negros fizeram e fazem no Brasil, no samba, na Vila, em nossas vidas. Enquanto compúnhamos, lembramos de muitos negros da Vila, Brazão, Luis Carlos, D. Lucy, Barbinha, Pery... Estávamos também muito balançados pela morte recente de um grande amigo negro que cantava com a gente na disputa, também chamado André. No meu caso, como messiânico, queria fazer mais uma homenagem ao Reverendo Francisco, grande líder, presidente da Igreja na África, falecido ano passado. Tenho muito orgulho do que construímos, modéstia a parte, o samba é lindo. E também teve o Arlindo... Sabe o que é ir à casa de um de seus ídolos, ser tratado como igual, ouvi-lo dizer que agora somos parte da família. O Arlindo elogia o tempo inteiro, fala que é nosso fã... vê se pode? Recebi incontáveis aulas de samba lá, mas a humildade do cara, e ele é o cara, foi uma aula digna de intermináveis aplausos. Somos mais fãs dele agora. Resumindo, esse era especial", relatou, orgulhoso.
Foto: Reprodução de Internet

O compositor ainda comentou sobre a polêmica envolvendo a cantora Martinália, que tambpem concorreu na última disputa na Vila Isabel. Ela teria afirmado que a Vila não precisa importar compositores do Império, se referindo a Arlindo Cruz. André afirmou ter ficado triste com a afirmação e achou "deselegante" com o cantor e parceiro.

"Também somos Vila, também fomos criados aqui. Definitivamente, não somos importados de lugar nenhum. E mais, será que esquecem que o Beto Sem Braço e o Aluizio Machado saíram da Vila pra brilhar no Império? Será que o Império tem do que reclamar da "importação" do  Bum bumpaticumbum, ou do mãe baiana? E mais ainda, em que lugar estava a paixão azul ou a fobia ao verde no ano passado? O mestre Átila estava aqui e não vi reações dela. O Átila trouxe incontáveis coisas positivas à Vila, Arlindo nos ajudou a fazer esse belo samba e o Império deve agradecer até hoje a chegada do Beto e do Aluizio. Isso é o samba. Viva o Império e Viva a Vila!".

André defendeu a filha de Martinho da Vila, dizendo que mantém boa relação com ela e que todos os torcedores vão abraçar o samba, assim como os ancestrais angolanos estarão cantando junto.

Sobre o desfile da azul e branca em 2012, André foi enfático: "emoção à flor da pele". Ele destacou que a safra de sambas para o próximo Carnaval é boa e que a Vila vai concorrer com "todas as outras escolas", já que o Carnaval está nivelado.

Diferente do que muitos podem pensar, André não sonha em colecionar ainda mais vitórias e ultrapassar outros compositores renomados. Seu desejo vai além disso. "Meu sonho? Descansar, fazer outras coisas na escola".

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