Os componentes estão com o samba na ponta da língua, os cantores em sintonia perfeita, o casal de mestre-sala e porta-bandeira dançando demais e a bateria tirando onda com paradinhas e nos momentos certos empolgando com o ritmo tradicional do surdo um. O que mais precisa essa escola? Os quesitos básicos para o sucesso, ela já conhece e bem. Agora, o trabalho está na parte plástica. Os carnavalescos Mauro Quintaes e Wagner Gonçalves vão ter que criar até o último minuto para corresponder todo o momento positivo que vive a Mangueira, apesar da dificuldade financeira.
O ensaio técnico começou com o presidente Ivo Meirelles recebendo uma sonora vaia do público presente nos setores 1 e 3. Sempre polêmico, ele aproveitou o evento para chamar atenção do "problema da Mangueira", a sua quadra. É difícil acreditar que a Mangueira realmente precise sair do Palácio do Samba, como é chamada a quadra, que talvez precise de algumas reformas, como acontecia na administração dos ex-presidentes Elmo José dos Santos e Alvinho. Ivo pediu aos governantes, Dilma Rousseff, Sérgio Cabral e Eduardo Paes, uma nova quadra para a escola. - Vem aí o PAC 2, a Mangueira não quer teleférico, quer uma quadra nova para atender a comunidade. Naquele prédio abandonado do IBGE (hoje ocupado por centenas de moradores) precisa ser instalado o sonho da Mangueira - disse Ivo, que ainda apresentou uma maquete.
Nas alas iniciais, a Mangueira contou com mulheres da velha-guarda e diversas baianinhas. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael e Marcella Alves, trocou de posição e ficou à frente da bateria, cercado por guardiões. A dupla deu show na Avenida. Movimentos rápidos, entrosamento e muito charme completaram a performance. A porta-bandeira ainda fechava com chave de ouro cada apresentação, saindo com uma das mãos na cintura e a outra na bandeira, como manda o manual de uma exibição perfeita.
A harmonia mangueirense foi o ponto alto. Toda escola cantou o samba-enredo, que foi muito bem conduzido por Luizito, Zé Paulo e Ciganerey. Até o momento, Ivo Meirelles está provando que acertou na escolha do samba para 2011, que foi eleito o melhor do ano, segundo os jurados do SRZD-Carnavalesco. Organizada e com os componentes brincando, a evolução da Mangueira também agradou. É nítido que o mangueirense "comprou" o enredo e o samba.
A bateria, comandada pelo jovem mestre Ailton, contagiou o público e não bobeou em nenhum minuto. Com paradinhas e o tradicional surdo um, a Mangueira pode estar tranquila, que possui uma excelente bateria para o Carnaval 2011. - É um trabalho gradativo. Aos poucos, a gente vai colocando as coisas no lugar. À medida que elas vão se encaixando, nós buscamos inovar. Além de termos uma bateria pé no chão, com um ritmo quente e característico da Mangueira, vamos usar a nossa criatividade, que é isso o que todas as escolas tem feito - disse mestre Ailton.
No fim, a bola fora mangueirense. A segurança da escola estava agindo com truculência excessiva, inclusive, não diferenciando os profissionais de imprensa dos bicões que costumam atrapalhar a evolução da escola. Um segurança agrediu com um soco um integrante da bateria que tentou revidar, mas foi contido. Integrantes da bateria, entre eles, mestre Ailton, tentavam apartar a briga, mas toda hora havia um empurra-empurra. Algumas pessoas ficaram assustadas com a confusão.
Após o belo ensaio da Mangueira, a escola não podia terminar de forma negativa por causa de pessoas sem cabeça. O que vale é a certeza que a Verde e Rosa está preparada para fazer bonito em 2011. É só aguardar que "a Mangueira vem aí".
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