A bateria dos mestres Plínio, Binho e Rodney, mostrou a qualidade habitual na afinação dos instrumentos e ousou, executando bossas com muita qualidade e que encaixam com a melodia do samba. Destaque também para os surdos de terceira que, mesmo sem um desenho rítmico tão ousado, cumpriram a missão de dar suingue à bateria. Ressalva apenas para a manutenção do andamento na volta das bossas. Foi possível perceber certa aceleração após o retorno da paradinha no início do refrão do meio por diversas vezes. Os jurados costumam não perdoar tal fato. Após a entrada da bateria no segundo recuo, a direção da ala pediu para que os ritmistas imprimissem um andamento mais acelerado ao samba. Mestre Rodney confirmou, dizendo que é uma estratégia de desfile:
- Isto é normal acontecer. Ali a gente pede para a bateria botar pra frente mesmo, mas sem perder a qualidade do ritmo da Beija-Flor. Isso fica bem perceptível quando cai para a segunda do samba.
Atrás da bateria, os problemas de evolução da Beija-Flor começaram a aparecer. Alas espaçadas e pequenos buracos entre elas faziam o frequentador mais assíduo dos ensaios técnicos se perguntar se era mesmo a Beija-Flor que estava na pista. Destaque negativo para a ala Tom e Jerry, que, além de apresentar componentes que cantavam pouco o samba e muitos buracos em sua evolução, teve alguns de seus integrantes abandonando o ensaio ainda no setor 11, em frente ao último módulo de julgadores. Muitos deles ficaram encostados na grade da Passarela e outros voltavam pelo meio da escola, atrapalhando o desenvolvimento do treino nilopolitano.
No esquenta, Neguinho da Beija-Flor levantou o público dos setores 1 e 3 com a popular ‘Mulher’, canção de sua autoria, lançada em 2010. ‘Deusa da Passarela’, tradicional esquenta da escola, também foi entoado, assim como um samba em homenagem ao patrono da Beija-Flor, Anísio Abraão David.
Logo após a comissão de frente, o bailado do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, mais uma vez, encantou a todos que foram assistir ao treino da Beija-Flor. Impressiona o entrosamento da dupla, que este ano completa vinte carnavais dançando juntos. Não é a toa que foram o único casal a tirar nota dez em todos os jurados no último carnaval. Se repetirem no dia do desfile oficial o rendimento da noite deste sábado, estarão bem próximos de abocanhar a pontuação máxima mais uma vez.
Da metade para o final do desfile, os problemas de espaçamento entre as alas e buracos dentro delas continuaram. No setores finais da azul e branco, a única a passar pelos dois últimos módulos de julgadores sem esse problema foi a ala Pura Raça, que com um canto forte e organização na ocupação de espaço salvou o final do ensaio da Beija-Flor.
A Beija-Flor de Nilópolis será a última escola a desfilar na segunda-feira de carnaval.
Nenhum comentário:
Postar um comentário